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A História da Joalheria

Parte central de um diadema
em forma de nó direito dos
rizes. O nó é feito em ouro
incrustado de granadas, ladeado
por placas quadradas
em ouro e decoradas com fi -
ligrama e esmalte cloasonado.
Período Helenístico, séc.
III a.C. (Museu Britânico)

A origem das joias é tão envolvente quanto os simbolismos que as carregam. Desde os tempos mais remotos, adornos sempre foram feitos e usados pelo homem. Através de metais e pedras preciosas – cada qual com significados e qualidades específicas – os adornos representam prestígio e proteção. Por trás de uma joia existe uma história que interage com a evolução da humanidade.

A joia, resposta do homem à profunda necessidade de se adornar, é tão antiga quanto ele próprio. O acompanha em todos os momentos da vida: nascimento, infância, adolescência, maturidade, velhice e morte. Ornamento esteticamente agradável aos olhos, a joia satisfaz necessidades básicas do homem como vaidade, individualidade, prestígio, poder e proteção. Exceto a linguagem estética, a joia oferece uma linguagem visual de certos códices sociais. Formas e cores combinadas oferecem informações do portador, constituindo sua “ficha de identidade”. Informa a que grupo étnico pertence, status social, fase da vida, estado civil, etc. O simbolismo ressalta ao ornamento e constitui a essência. Está presente nos rituais de iniciação e transição de um estágio de vida a outro, e em todas as atividades festivas. A joia é ainda um objeto de interação humana através dos diversos mecanismos sociais de circulação e troca de mercadorias. Presente nos casamentos representa, publicamente, forte aliança estabelecida pelas famílias dos noivos. No grupo é moeda para obtenção de bens.

 

Também é usada como amuleto. Investida de qualidades sobrenaturais, atrai forças benéficas e boa sorte, afasta malefícios e doenças, proporciona cura de enfermidades.

A origem dos adornos

 

Os primeiros adornos pessoais remontam ao período Paleolítico quando o homem primitivo, por falta de ferramentas recorre a objetos encontrados na natureza.

Enfia uma fibra através do forame de uma vértebra de peixe, amarra-a e a pendura ao pescoço. À medida que evolui, o homem cria, utiliza e aperfeiçoam ferramentas de pedra, o que lhe permite perfurar caracóis, ossos e dentes de animais, e pedras de baixa dureza. Um exemplo é o colar de conchas encontrado num túmulo próximo de Roma, datando aproximadamente de 20.000 anos A.C., hoje, no Museu Arqueológico de Gênova, Itália. Já num estágio de desenvolvimento mais avançado, o Neolítico, faz uso de materiais mais duros e resistentes. Metais e ligas metálicas se prestam na fabricação de armas e ferramentas. Os adornos tornam-se mais elaborados e desenhos decorativos são gravados em superfícies polidas. O ouro, um dos mais antigos metais conhecido, foi prontamente apreciado por suas propriedades: ductibilidade, maleabilidade, cor e brilho. É importante salientar que por volta do IV milênio A.C. já havia intercâmbio comercial entre as antigas civilizações que floresciam as margens dos rios Nilo, Tigre, Eufrates e Indo, e do mar Mediterrâneo.

 

Estudos arqueológicos confirmam esse fato, e demonstram que num amplo raio em torno dos lugares onde alguns tipos de joias foram encontrados não se conhecia a existência de minas que pudessem oferecer a matéria prima. O lápis lazuli, tão comum e importante na joalheria egípcia, não era encontrado em seus domínios. Era levado das minas do Afeganistão para o Egito. A Mesopotâmia, por sua vez, busca o ouro nas montanhas da Anatólia ou Irã. Cornalinas e ágatas na Índia e Afeganistão. E lápis Lazuli no Afeganistão. Outra evidência da comunicação entre os povos é a repetição de temas nas diversas culturas e o simultâneo desenvolvimento das técnicas de metalurgia que vão além da fronteira da coincidência. A Suméria, antiga civilização da história, prosperou por volta de 3.500 A.C. na região situada entre os rios Tigre e Eufrates. Os sumérios, hábeis agricultores, não possuíam moeda. Eles destinavam

o excesso da produção agrícola à permuta de mercadorias, estabelecendo laços comerciais entre os povos. Inventaram o primeiro sistema de escrita, de modo que o conhecimento pode ser transmitido de uma geração a outra.

 

Os sumérios também desenvolveram um sistema de governo, promulgando leis, organizando exércitos e a religião. Produziram todos os tipos de mercadorias, de objetos cerâmicos a joias. Criaram o selo ou sinete - objeto feito inicialmente escavando um desenho na superfície de seixos de rio, que deixa uma imagem em relevo quando pressionado sobre argila ou cera. Embora tivessem finalidade utilitária de garantir autenticidade de documentos e bens, alguns se tornaram itens de joalheria

quando feitos em ouro ou gemas. A mais famosa descoberta do arqueólogo britânico Sir. Leonard Wooley foi a tumba da rainha Pu-Abi onde foram encontrados, sepultados

com ela, os corpos de 63 pessoas entre elas soldados e damas de companhia vestindo roupas cerimoniais. Na Suméria era costume sepultar o rei ou rainha com toda corte, pois deveriam continuar acompanhando seu senhor na vida após a morte.

 

O corpo da rainha estava envolto num manto trabalhado em ouro, lápis lazulis, cornalinas e ágatas. O diadema real era composto de várias bandas adornadas com folhas e discos feitos em ouro repuxado, intercalado com contas de lápis lazuli, encima dos por três flores abertas. Outros objetos de surpreendente beleza faziam parte do tesouro, entre eles talismãs em forma de peixes e animais, e colares, brincos e alfinetes ornamentais em ouro, prata e ‘electrum’ (liga natural de ouro e prata), adornados com gemas. Os artesãos da época dominavam as técnicas do repuxado, incrustação, granulação e filigrana.

Outra importante civilização que floresceu as margens de um rio foi a egípcia. A joalheria no Egito tem origem aproximada de 5000 anos a.C., quando o homem do período Badariam envolvia o quadril com cintos feitos de contas de esteatita revestidas com vitrificado verde, braceletes de marfi m e amuletos de conchas. Não devemos ver as joias egípcias como simples ornamentos e possuidoras de grande beleza e perfeição técnica, mas como objetos revestidos de valores transcendentais. Formas, inscrições, diversidade de materiais e cores revestidos de simbolismo exerciam mágicos poderes sobre a crença popular. Essas joias acompanhavam seu possuidor tanto durante a existência terrena quanto na jornada pósmorte. Às gemas eram atribuídas propriedades protetoras ou curativas. A ágata foi reconhecida como proteção contra picadas de aranha e para acalmar tempestades. O jaspe verde trazia

chuva, e o lápis lazuli era usado para proteger ataques de cobra. O escaravelho foi um poderoso amuleto, presente nos peitorais, braceletes, anéis e pendentes usados em vida, e em jóias fúnebres. Foram feitos em ouro, esculpidos em gemas, moldados em cerâmica revestida com vitrificado, e em tamanhos diversos.

 

Segundo uma lenda, os egípcios supunham não haver besouro fêmea, e, portanto, o macho era quem botava os ovos sendolhe atribuída a responsabilidade de propagar a espécie. O escaravelho, representação de ‘Khepera’, deus do amanhecer, é reverenciado pelos egípcios como símbolo de ressurreição e imortalidade. Durante o ritual fúnebre, o coração do morto era removido e substituído por um escaravelho gravado com inscrições transcritas do Livro dos Mortos, e o corpo envolto em faixas com pequenos escaravelhos distribuídos entre elas. A grande quantidade de amuletos encontrados sugere o propósito de tributo a ser pago pela alma do morto ao porteiro do outro mundo. De acordo com a mitologia egípcia, gato representava ‘Bastet’, deusa da fertilidade e das festividades. A rã, ‘Heqat’, deusa associada ao nascimento e fertilidade. ‘Shen’, símbolo de vida e eternidade tem a forma de círculo, fixo aos pés do falcão ou abutre. ‘Djed’, amuleto em forma de coluna contornado na porção superior por quatro bandas finas é símbolo de estabilidade. E ‘Ankh’ apresenta a forma de um T encimado por uma circunferência, e representa a vida.

 

O diadema de ouro usado por Tutankhamun é composto por uma banda de ouro ornada com incrustações de cornalinas com duas longas tiras pendentes na parte posterior decoradas da mesma forma. A parte dianteira apresenta dois ornamentos destacáveis: a cabeça do abutre em ouro e o corpo da serpente incrustada com cornalinas, lápis lazuli, “faiança” e vidros azuis e vermelhos. Representam a unificação do Alto e Baixo Egito. O conhecimento de novos metais como o cobre e estanho, aliados ao domínio das técnicas de fundição, contribuíram para a criação das ligas metálicas que resultam num novo metal usualmente de maior dureza e mais resistentes que seus componentes. O bronze liga de cobre e estanho, predominou na joalheria antiga por se assemelhar ao metal nobre após receber polimento. Os artífices da Idade do Bronze, aproximadamente 2.000 anos a.C., decoravam suas joias com motivos figurativos. Braceletes, colares e pingentes de várias formas foram os itens comuns entre os povos Egeu, Minóico, Micênico, Grego, Romano e Etrusco.

 

Em Creta, ilha vulcânica situada a oeste do mar mediterrâneo, desenvolveu-se a cultura denominada minóica, nome derivado do legendário rei Minos. Sua localização geográfica favorecia o contato com os vizinhos do oriente e ocidente, e fi cava no centro das rotas comerciais marítimas dos povos antigos. Neste território, um dos mais valiosos bens naturais encontrados era um mineral esverdeado- a malaquita, que após o refino em fornalhas de carvão se transformava em cobre. Resistente e maleável, o cobre puro podia ser moldado ou forjado em inúmeras formas, substituindo as antigas armas e ferramentas de pedra, mas apresentava um sério problema: a oxidação que as tornavam fracas e quebradiças. A solução veio com a adição de pequena proporção de estanho ao cobre, formando uma liga metálica dura e resistente, o bronze. Os utensílios e as armas de bronze passam a ser fundidos em moldes bivalves e, posteriormente, através do método da cera perdida. As joias do período minóico recente (l.600 – 1.100 a.C.) eram feitas em cobre, prata, ouro e prata folhada de ouro, com adornos em quartzo hialino, ametistas, ágatas e cornalinas, faiança e vidros. Eram produzidos alfinetes decorativos que serviam como fecho de roupa, ornamentos para o cabelo também em forma de alfinetes, diademas, brincos, braceletes, pulseiras, adornos para o tornozelo, gargantilhas e colares de contas.

Pingentes em forma de flores, animais e insetos estilizados eram moldados em fi nas lâminas de ouro, o que sugerem sua função de amuleto e talismã. Devido à escassez de ouro e à dificuldade em obtê-lo, as contas eram feitas em duas partes: cada metade era estampada em fi na lâmina de metal e soldadas sobre um núcleo de um material rígido para dar resistência e manter a forma. Creta sofreu outro grande terremoto por volta de 1.450 a.C. e foi novamente reconstruída, tornado-se mais próspera que antes. Exerceu grande influência sobre os habitantes do continente e,

em 1.400 a.C., as posições se invertem: Micenas conquista Knossos e assume o poder do Império Egeu. As joias do período micênico são produzidas pelos artesãos minóicos ou por gregos sob a orientação de mestres minóicos.

Os principais artigos são os peitorais usados como talismã, pendentes e contas em relevo, e anéis usados como sinete ou adornos feitos em ouro, lápis lazuli, quartzo, faiança e vidro moldado. O esmalte, a filigrana e a granulação foram as formas de decoração mais empregadas. O império micênico é destruído em 1.100 a.C. Os etruscos habitaram uma região ao norte da Itália entre os rios Arno e Tibre desde o século IX a.C. até o começo do I a. C. Foram surpreendentes na elaboração de joias, aliando beleza e habilidade técnica. Famosos no uso da fundição dos metais, no domínio da solda e nos processos decorativos como filigrana e granulação. A granulação consiste em fixar através da solda, diminutas esferas de ouro numa superfície também de ouro contornando linhas ou cobrindo áreas de um desenho; a fi ligrana, em soldar uma fina fita do metal a uma base, formando intricados desenhos. Um tipo de joia característica desse período foi a fíbula - um broche que tinha a  finalidade de prender as pregas da túnica e a tebena. A tebena era uma espécie de capa na maioria das vezes retangular; usada com uma extremidade trazida para frente por cima do ombro esquerdo, e a outra passada por baixo do braço direito, e na frente lançada para trás, por cima do ombro esquerdo. A fíbula foi precursora do alfinete de segurança criado no século XIX d.C. Além das fíbulas que atingiram alto grau de beleza e perfeição técnica, os artesãos etruscos produziram braceletes, brincos e anéis. Os colares foram pouco usados e consistiam em pendentes e contas presas a uma cadeia. Os fenícios - povo originariamente nômade - se estabeleceram na região correspondente ao atual Líbano, e tiveram importância vital no desenvolvimento da joalheria do II milênio a.C., quando se tornaram hábeis navegadores. Eles estabeleceram rotas regulares de comércio entre o oriente e o ocidente, possibilitando o intercâmbio de idéias, técnicas e mercadorias. Os fenícios enviaram embarcações ao mar Báltico em busca de âmbar difundiram nos países do Mediterrâneo a arte de talhar gemas, exportavam vidro e faiança egípcios, e levaram a técnica da granulação

dos egeus aos etruscos. Eles também confeccionavam seus adornos sem a pretensão de criar algo. Absorveram conhecimentos técnicos e tomaram emprestados motivos das joias dos poderosos vizinhos. A eles é atribuída a invenção do vidro transparente.

 

A Grécia, por volta do I milênio a.C. começa a desenvolver sua joalheria sob a influencia das civilizações da Ásia Menor e das culturas egéias. Embora esfinges do Egito e touro alado da Assíria apareçam constantemente em sua ornamentação, os

gregos dão a eles características próprias. Ao contrário da joalheria oriental que nos causa grande admiração pela beleza e suntuosidade, a grega prima pela sobriedade das formas e harmonia das proporções e materiais. O colar, um dos artigos de joalheria mais usados, em geral consistia de uma banda de rosetas repuxadas que sustentava uma série de variados pendentes. O bracelete característico era usado na parte superior do braço, consistia de um aro rígido aberto cujas extremidades recebiam decoração em forma de espirais ou cabeças de animais. Outra forma comum foi o bracelete espiral em forma de serpente. As joias do período clássico distinguem-se pela decoração que passa de motivos originariamente geométricos a outros naturalistas. Executadas em ouro, recebem trabalhos em filigrana e granulação. A

policromia não faz parte da composição dos adornos do período clássico, somente no

período helenístico ela é empregada.

 

O esmalte e as gemas coloridas são acrescidos paulatinamente e de forma moderada. O ‘nó de Hércules’ é o elemento decorativo comum dessa época, e a ele é atribuída a propriedade de curar ferimentos. Os gregos foram hábeis na arte da glíptica, isto é, na arte de gravar ou entalhar desenhos na superfície das gemas. Existem três tipos distintos de trabalho: o ‘intaglio’ e o ‘relevo’ cujos perfis são exatamente opostos, e o

‘chevet’ ou ‘curvete’. No ‘intaglio’ todos os elementos da figura são escavados formando um côncavo sob a superfície. O ‘intaglio’ é uma escultura negativa e quando pressionada sobre uma substância mole como a argila, deixa uma imagem positiva. O ‘relevo’ nada mais é que um baixo relevo de tamanho reduzido, o camafeu. A característica principal do camafeu está no tipo de mineral empregado: deve ser esculpido numa gema que apresente na sua estrutura duas ou mais camadas coloridas como, por exemplo, o ônix (ágata com bandeamento branco e preto). Na cor clara é esculpida a figura principal e na cor contrastante o fundo.

 

O camafeu, muito comum nas joias gregas e romanas, passa por um período pouco expressivo durante a Idade Média, tornando-se popular no Renascimento e posteriormente no século XIX d.C. O ‘chevet’ ou ‘curvet é a combinação dos dois tipos anteriores: um baixo relevo escavado, de forma que a parte mais alta da figura fique no mesmo nível da superfície da gema. Em meados do primeiro milênio

antes de Cristo um novo povo se estabelece as margens do rio Tibre, no centro da península itálica: o romano. O domínio romano abarca um período de, aproximadamente, 1.200 anos, desde seu surgimento no século VIII a.C. até o ocaso no século V d.C. Os romanos eram comedidos, disciplinados e metódicos, com uma predileção pela lei escrita e um entusiasmo pela organização política. Fundada por volta do ano 753 a.C., Roma era considerada uma cidade- estado pobre por não possuir reservas naturais de ouro, fato que motivou a luta pela expansão territorial. Os romanos foram influenciados por seus vizinhos da outra margem do Tibre, os etruscos.

 

Mais avançados e poderosos, os etruscos partilharam da mesma língua e cultura e conquistaram Roma, introduzindo o alfabeto que adotaram dos gregos e estes dos fenícios. Também exerceram influência em todos os setores da vida romana: na religião, nos costumes, na cerâmica, na metalurgia e na construção civil. Em 509 a.C. os romanos se libertaram dos etruscos e instalaram a república; expandiram seu domínio ao norte da África, Espanha, França e para o Leste. Neste período, o ouro conquistado era ainda insufi ciente para a manufatura de objetos de luxo e joias, e era destinado à manutenção do imenso exército. Duas leis foram promulgadas para regulamentar o uso do ouro. A primeira, a Lei das ‘Doze Tábuas’ (450 a.C.) limitava a quantia de ouro que poderia ser sepultado com o falecido. A segunda, ‘Lex Oppia’ (século III a.C.) ditava que nenhuma mulher podia usar mais de meia onça de ouro. A austeridade da vida cotidiana excluía o luxo pessoal. A joalheria romana sofreu um longo período de três séculos de quase total estagnação. As poucas peças encontradas têm infl uência ou são originalmente etruscas ou gregas. Foi uma joalheria verdadeiramente produzida a partir do século II a.C. livre da influência estrangeira.

 

O adorno tornou-se indicador de prestígio e poder do possuidor. Os romanos introduziram novas técnicas de decoração: o ‘opus interrasile’ e o nielo. O ‘opus interrasile’ é um trabalho aberto que consiste em perfurar uma lâmina de metal, geralmente ouro, com cinzel ou outra ferramenta cortante um desenho estabelecido. A técnica foi aplicada em anéis, braceletes, colares e contornando a borda de medalhões. O trabalho era fundo de um desenho e quando minuciosamente perfurado, resulta num tipo de renda de ouro. O nielo é uma técnica de decoração semelhante a esmaltação, onde a cor preta contrasta sobre a prata. O desenho é gravado sobre o metal e o sulco preenchido com uma mistura de sulfetos metálicos pulverizados (enxofre com prata, cobre e chumbo) e  posteriormente fundida. Após o resfriamento o excesso é removido e a superfície polida. Os romanos empregam grande quantidade e variedade de gemas coloridas em suas joias: as esmeraldas, granadas, safiras, ágatas, topázios, pérolas e diamantes. As gemas de menor dureza começam a ser lapidadas em forma de cabochão e as de maior dureza, conservam sua forma original e são apenas polidas.

 

As moedas fizeram parte da decoração de anéis e pendentes. O anel foi o tipo de joia mais popular entre os romanos. Um relato da época menciona que um anel podia ser obtido com uma pitada de sal. Fala ainda de um homem que chegou a usar seis anéis

num único dedo. Segundo o naturalista clássico Plínio, o Velho - os anéis dos tempos mais remotos foram usados no dedo anular da mão esquerda, pois acreditavam no fato de que o nervo ia diretamente ao coração. Os embaixadores recebiam um anel de ouro como credencial - um privilégio temporário - não sendo permitido o uso depois de findada a missão, embora pudesse ser conservado em seu poder. Anéis foram dados a civis ou militares como condecorações ou prêmios por atos de distinção, e os romanos ainda usaram por primeiro o anel como símbolo do compromisso de noivado e casamento. O anel ainda ganha função prática quando combinado a uma chave que fecha seus pertences: no aro do anel é soldada uma chave de forma que esta ficasse paralela ao dedo. Graças à expansão territorial, a cultura, a joalheria e as técnicas de manufatura romana se difundiram por todas as regiões.

 

Sendo assim, quando o Império Romano do Ocidente sucumbiu ante aos povos invasores, a arte romana se manteve a salvo no Império do Oriente.

Fontes:
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BAERWARD, Marcus e MAHONEY, Tom. Historia de las Joyas. Ediciones Zeus
BLACK, J. Anderson. History of Jewelry – Five Tousand Years, Park Lane
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Jewelry – 7.000 Years. International History and Illustrated Survey from the Collections of the British. Edited by Hugh Tait . Harry N. Abrams, Inc., Publishers, New York