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A Polêmica Beleza do Brown

Os diamantes marrons não são considerados os mais valiosos dentre os diamantes existentes, mas a sua grande variedade de tons faz desta gema uma constante fonte de interesse dos pesquisadores.

Na indústria joalheira, o diamante marrom tem uma longa história, tanto comercial, quanto literária. Referências ao chamado diamante Brown datam do século IX, mas relatos históricos permitem dizer que essas pedras já eram usadas no século VI. O nome da pedra deriva da palavra anglo-saxônica "brun", significando afinidade. Um dos mais antigos achados sobre o diamante marrom lapidado foi datado em 1620 e descreve um diamante carré cravado numa cruz com diamantes e pérolas.

Mas na literatura histórica dos diamantes marrons, cada autor tem uma opinião diferente sobre a cor, francamente positiva ou enfaticamente negativa. Samuel Tolansky, no livro "A História e o Uso dos Diamantes" (1962), lista os marrons ao lado dos amarelos e verdes, chamando-os de "transparências delicadas e coloridas, que podem atingir altos preços".

O mesmo tom positivo é usado por George Merrill, no livro "Gemas e Pedras Preciosas" (1922), no qual ele diz que "a gama de cores é extensa, sendo que as finas pedras marrons são muito consideradas".

Descrições como essas conflitam com a opinião de autores como Frank Wade, que, no livro "Pedras Preciosas (1918)", explica que diamantes marrons, apesar de sua profunda e agradável cor, são indesejáveis. Isso porque eles absorvem muita luz e têm aparência suja na luz natural, ao passo que na luz artificial apresentam um tom escuro e cansativo.

 

Essas divergências de opiniões são as mesmas que envolvem a própria cor marrom, para muitos tida como uma cor rica, luxuosa, aconchegante e suave e para outros se associa com a terra, com o turvo, escuro, sombrio, silencioso, calado.

 

Talvez por conta destas polêmicas, a indústria de diamantes tenha decidido fazer uma campanha para chamar a atenção para o alto valor desta cor.

 

A Argyle Diamonds trabalha nessa direção desde 1990 e aborda a questão com uma simples escala de cores, que facilita a visualização dos diferentes tons da pedra.

 

Baseada na comparação visual com sete graduações (C1 à C7), a empresa tenta delinear os diferentes tons da cor marrom, criando nomes comerciais para identificar cada tipo de pedra. A Argyle se refere aos diamantes classificados como C1 e C2 como champanhe claro; os C3 e C4 de champanhe médio; os C5 e C6 de champanhe escuro e os C7 conhaque.

 

Esta campanha promocional com sistema de graduação é um importante passo para o crescimento da conscientização sobre a beleza da cor, do nível de  informação dos consumidores e ainda para a melhor comunicação das cores a todos os integrantes do mercado de diamantes.

 

Entretanto, para o consumidor mais astuto é importante entender que por trás de diamantes com uma cor marrom óbvia existe uma complexa escala de cores. Classificá-los de acordo com a escala C1 - C7 é uma maneira muito simplificada de resolver o problema.

Os sete graus de cores estabelecidos pela Argyle baseiam-se nas cores aparentes mais fortes percebidas nas pedras. Entre eles, há outros 23 graus de cores com nuances suaves, medidas pela escala D - Z, criada para descrever os diamantes amarelos. Quando os diamantes são medidos com um colorímetro o marrom puro encontra-se na área central do espaço espectral de cor marrom, e outras cores marrons desviam-se deste centro de cor para várias áreas.

 

Em geral, a graduação C1 - C7 segue nesse tridimensional espaço de cores do claro para o escuro, com a saturação atingindo quase o máximo no nível médio e várias modificações de cores em todos os níveis. Há vários nomes comuns para descrever apropriadamente os vários tons da cor marrom encontrados nos diamantes naturais.

 

Entre eles, o champanhe, a canela, o conhaque, o dourado, o mel e o chocolate. Os diamantes marrons são considerados itens comercialmente comuns e são menos valiosos que muitas outras cores, ainda que ofereçam ótima barganha para os compradores. Os diamantes marrons puros, que não mostram traços de cores secundárias modificando suas cores são raros e são facilmente vendidos quando encontrados.

 

 

Escala dos diamantes marrons

segundo a Argyle Diamonds

Cores modificadoras

 

No espaço tridimensional das cores, a região do marrom faz fronteira com o branco, cinza, preto, verde, amarelo, laranja, vermelho, rosa, púrpura. Entretanto, o diamante marrom pode exibir qualquer uma dessas cores que o modificam, em quantidades variáveis. Essas cores também são chamadas menores, subordinadas, ou cores secundárias. A literatura cita diamantes marrons com zonas alternadas de azul e marrom, ocorrência incomum na natureza. A fluorescência, quando forte o suficiente, pode adicionar um azul oleoso (e/ou verde) modificando o diamante marrom. Também raros são os diamantes nos quais a cor resulta de camadas alternadas de azul claro e marrom claro.

 

Crowningshiels, em 1777, observou um caso onde as zonas eram claramente alternadas, sugerindo dois diferentes tipos de diamantes, que poderiam estar representados em um único cristal, cada um na sua zona de cor. Mas a aparência geral era de um marrom peculiar. Uma variedade de diamantes naturais marrons pode também conter duas cores modificantes, com diferentes intensidades. Há cores, como a amarela-esverdeada- marrom e a laranja-esverdeada marrom, que podem existir na natureza, mas nunca foram descritas na literatura. O diamante marrom natural pode exibir três ou quatro cores modificantes na direção da face. Por exemplo, o diamante esverdeado-amarelado-alaranjadobranco- marrom, onde o verde modificante é fruto da fluorescência; o amarelo e o laranja vêm de átomos de nitrogênio que absorvem o violeta e o azul; enquanto o branco é devido a pequenas inclusões que dispersam luz branca. Já a cor marrom é fruto de defeitos estrutura.

Origem da cor

 

Nos diamantes naturais, a cor marrom resulta da absorção de luz nas passagens estruturais das camadas do diamante. O tipo de "defeito" que origina a cor marrom (como a cor central) não é totalmente entendido pelos pesquisadores de diamantes. Teorias atuais sugerem que a cor marrom está associada com passagens que ocorrem paralelas às direções cristalográficas octaédricas, citadas como defeitos de planos deslizantes pelos cientistas; como laminação marrom pelos geologistas; e marrom granulado, em grãos ou em bordas pelos gemologistas. Estudando a deformação plástica nos diamantes, pesquisadores têm observado que o grau de deformação laminar está diretamente relacionado com a intensidade da cor marrom observada. Linhas esparsas de grãos marrons dão origem a um tom de marrom claro, enquanto uma profusão de grãos resulta em uma coloração marrom escura. Se um diamante natural marrom é visto entre duas lâminas de Polaroid e iluminado com luz branca, exibe um brilho padrão característico.

 

 

Cor tratada artificialmente

 

Há alguma confusão entre consumidores quando eles observam os diamantes coloridos artificialmente e os comparam com os naturais. Métodos modernos de colorização, que utilizam a radiação e o calor para imitar as cores existentes na natureza, produzem cores bastante semelhantes, mas não idênticas. Muitos diamantes tratados estão saturados no tom, tornando-os artificiais para olhos mais experientes. Certos marrons tratados parecem artificiais porque a cor marrom parece sobreposta, como se o marrom estivesse mascarando a cor prévia, como o amarelo, o cinza ou o verde-escuro. O resultado é um marrom lodoso, sem brilho. Mas um diamante tratado artificialmente também pode exibir uma cor de marrom distinta, mais próxima da superfície. Diamantes marrons tratados geralmente exibem tons laranja que o modificam e ocasionalmente tons amarelo ou vermelho. Exibem pouca ou nenhuma granulação marrom e um espectro de absorção de luz característico identificando sua cor de origem. Como há mínimo incentivo financeiro, os diamantes marrons tratados não são muitos no mercado. O consumidor mais frequente encontrará diamantes azuis, cuja cor natural era o marrom pálido, antes de ser encaminhado para tratamento de radiação.